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Poesia 08

Promessa

Quando saires de Confins
prometo ficar dez horas dizendo:
te amo... te amo... te amo... te amo...
Mas digo-vos que estou preparado para os atrasos
te amo... te amo... te amo... te amo...

Quando chegares a Lisboa
prometo, depois dos beijos,
depois das lágrimas
e dos abraços...
que durante a estação Oriente a Coimbra,
de forma espaçada para não te cansar,
ficarei a te olhar e a sussurrar durante as duas horas:
te amo... te amo... te amo... te amo...

Oh, Deusa da caça,
diferentemente,
renunciastes a renúncia do casamento,
o Mondego será o Nemi,
o Tzero, da Fernandes Tomás, o Aventino.
E eu continuarei te amando... te amando... te amando...


Wanderson Rocha

Poesia 07

Sem medo

Resolvi ter coragem.
Após anos e anos (re) escrevendo
e no final: a rasgar... a rasgar... a rasgar...
talvez fosse a limitação na periferia da Pampulha.

Era um medo sem igual!
Medo das ideias desaparecem no esquecimento,
Medo das palavras amarelarem nas estantantes,
Medo de apenas ser lido pelo próximo,
De me encontrar num Alfarrábio... num Sebo!

Em Coimbra incorporei certa liberdade,
As águas do Mondego abrandaram a aflição,
o Parque...
cada Beco inspiração!
E cada estória um aroma da ancestralidade,
visíveis na invisibilidade das construções...

Estou preparado... acredito!
Não me importa as páginas amarelas,
quem sabe ouro num garimpo alfarrábico.
É bom saber que o próximo me fortalece!
Quem sabe os Historiadores...

Por fim,
não obstante,
de agora em diante
não deletarei as ideias.
Os pensamentos serão públicos,
instigantes e levemente incessantes!

Wanderson Rocha

Poesia 06

Retornar



Quanto tempo parado,
Desperdiçado, não sei!
Ou sei?
De agora em diante quero craniar,
Imaginar o poeta em toda a sua fulgência ...
Vou ser púgil!
Lutar, lutar, lutar ...
para não me adormecer em outro instante
e deixar de pouco sonhar!

Quero ser pueril sem purismo,
palavras com um pouquinho de pudico
e de vez em vez as palavras soçobrar!

Quero engendrar os poemas
sem podê-los sofrear!
Arquitetar um plano poético
para salvar-me,
socorrer-me
da possível paralisação dos devaneios!
Encontrar uma saída
para fomentar as minhas inspirações!
Ou seja,
Não me esconder de mim mesmo!


Wanderson Rocha


Poesia 05

Distância


Quero relembrar alguns momentos...
dias intensos, dias cheios de energia!
Não quero aqueles sofrimentos...
apenas quero um pouco mais de alegria.
apenas quero um pouco mais de vida,
e que bem distante fique a distância...

Mesmo que as milhas sejam reais.
Mesmo que o oceano nos separe.
Não perca os ideais
simplesmente me abrace...

Que o tempo não dê tempo, voe...
Acelere, apresse meus deveres.
Para que numa bela noite
se encontrem os nossos prazeres,
se juntem os nossos cheiros,
se unam os nossos beijos!

Wanderson Rocha

Poesia 04

Devaneio

Ao descer a Fernandes Tomás parei defronte ao Arco de Almedina.
Por cerca de quarenta segundos...
Penso que foi mais ou menos isto.
Fechei os olhos e inspirei profundamente...
Liberei o ar quente!
Imaginei:
Quem sabe, ao traspassar a Torre, chegarei à Radialista Romeu Barbosa...
Casa Verde! A Casa Verde! O campo do Céu Azul!
Visualizei umas imagens embaçadas...
Acelerei o compasso...
um ritmo intenso...
ritmo intenso...
intenso...
tenso.
Desvario,
delírio.
Era a Ferreira Borges.
Mais perto do Mondego.
E milhas e milhas da Pampulha.

Wanderson Rocha

Poesia 03

Costumes diários

Hoje,
pela manhã,
 um som irritante,
mas realmente essencial,
são necessários três momentos,
Oito menos dez, Oito, Oito e um quarto!
Esticar os braços e os pés...
pé esquerdo e pé direito no tapete verde,
mãos quentes esfriam rapidamente,
olhos cerram-se ao encontro do frio,
mudanças de hálito e cabelo arrumado!
Na abertura da parede uma claridade e o ar natalino...
Esquento a esperança para o tempo não paralisar...
Para o tempo voar... acelerar....
As imagens coladas na parede fortalecem...
esquentam a alma e amenizam a saudade!
Desjejum às nove...
leituras e leituras, quando a agenda não sobrepõe.
Intervalo,
Vou do terceiro à saída,
Fernandes Tomás (Junta da Almedina),
Sé Velha de Coimbra,
Bigorna,
Sé Nova de Coimbra,
Refeição no Hospital Velho.
à noite, o mesmo, porém, nas Amarelas!
Como de costume: sempre uma laranja doce!

Wanderson Rocha

Poesia 02

Me conhecer!?


.
Hoje, pensei em me conhecer melhor,

isso mesmo, é apenas um desejo simples de me conhecer!

E então! O que perguntar!?

Boa pergunta!

O que alguém se perguntaria a si mesmo?

Olá, como vai?

Não... não... não...

Esta não é melhor indagação!

Nunca pensei ter tanta dúvida comigo mesmo!

Não sou tão difícil assim,

somente acredito que mereço algo mais elaborado.

Estás bem disposto?

Não... não... não...

Que imensa indecisão!

Não consigo me responder,

Ou não consigo me perguntar?

Percebi que tenho dificuldades,

nem se quer consigo me olhar!

Pronto, vou ao Parque Verde do Mondego.

Conclui que precisamos me conhecer melhor!

Pronto, concordo!

Então vamos me conhecer!

Wanderson Rocha